Reportagem de O Mirante sobre a Junta de Freguesia do Beco

Reportagem de O Mirante sobre a Junta de Freguesia do Beco

O Semanário Regional O Mirante efetuou uma reportagem sobre a Junta de Freguesia do Beco e o seu funcionamento.

Reportagem de O Mirante sobre a Junta de Freguesia do Beco

“Sábado, 25 de Abril, o executivo da Junta de Freguesia do Beco abre a porta da autarquia às 10h00 para duas horas de atendimento semanal à população. A freguesia do concelho de Ferreira do Zêzere é provavelmente uma das mais pacatas do distrito de Santarém. A autarquia só abre aos sábados das 10h00 às 12h00, não tem funcionários administrativos, nem sequer coveiro no cemitério, o único equipamento gerido pela junta que tem maior actividade. Na localidade situada a 90 quilómetros da capital de distrito, o que dá mais trabalho administrativo à junta é o registo de cinco dezenas de cães. De vez em quando lá aparece alguém a pedir um atestado ou uma prova de vida.

O presidente da freguesia, Manuel Cotrim, tractorista reformado, olha para o edifício à entrada da localidade e repara que nem sequer se hasteou a bandeira no feriado da revolução e, em jeito de desabafo, diz que também nem é preciso. O autarca, com duas décadas de ligação à junta como secretário e a cumprir o primeiro mandato como presidente, vai dizendo que “pelo movimento da junta não se justifica ter funcionário”. “Mesmo ao sábado, às vezes, estamos aqui na conversa porque não aparece qualquer freguês”, sublinha o presidente olhando para a secretária, Sílvia Carvalho, que está no balcão de atendimento, e para a tesoureira Ana Isabel Veríssimo, que vai pondo a contabilidade em dia no sistema informático.

Por aquelas bandas, na fronteira com o distrito de Castelo Branco, parece que o tempo parou. Não se ouve vivalma nas redondezas do edifício. Nem ao lado no ringue desportivo, que para Manuel Cotrim é o pior investimento feito na freguesia, há sinais de vida. “O espaço é usado poucas vezes por dois ou três miúdos”, justifica. A única viatura da junta é uma carrinha de prevenção de incêndios, que passa a maior parte do ano numa garagem. Nas deslocações que por vezes são necessárias ao serviço da junta, o presidente, que só recebe as ajudas de custo, usa o seu carro pessoal.

Numa terra com 855 eleitores, menos 73 que em 2009, e uma população envelhecida, os funerais são frequentes e o presidente da junta acompanha-os todos. Na manhã de sábado Manuel Cotrim acompanhou uma família ao cemitério para marcar o local para fazer um enterramento. Sem coveiro e contando apenas por vezes com um homem para fazer alguns trabalhos de limpeza e pequenos arranjos através de programas do Centro de Emprego, tem sido o autarca que abre e fecha o portão do cemitério. Mas agora foi colocado um sistema automático com aviso sonoro, de abertura e fecho, para dar mais descanso a Manuel Cotrim. Para os funerais a junta recorre a coveiros de freguesias vizinhas.

Reportagem de O Mirante sobre a Junta de Freguesia do Beco
Com um orçamento anual de cerca de 30 mil euros não há muito que a junta possa fazer. O dinheiro vai sendo gasto na limpeza e alguns arranjos que são feitos através de contratos com empresas ou profissionais colectados nas Finanças. A 10 quilómetros da sede de concelho quem precisar de ir ao médico tem de se deslocar ao centro de saúde de Ferreira do Zêzere. No posto médico do Beco há serviços de enfermagem duas vezes por semana e há um médico que de forma voluntária passa pela freguesia duas vezes por mês para passar receitas.

A junta só tem sede construída de raiz desde 1982. Antes a autarquia funcionava numa casa particular emprestada. Nas assembleias de freguesia não há muito para dizer, comenta Manuel Cotrim a sorrir. Em média, contando com alguns momentos de conversa sobre a vida local, a reunião não dura mais de uma hora. Há sessões que são despachadas em meia hora. O presidente da junta está sempre disponível para atender os fregueses e os eleitos, disponibilizando o número de telemóvel que está também no site da câmara municipal na internet na página dedicada à freguesia. Todos na localidade sabem onde mora e é frequente baterem-lhe à porta. Se for necessário vai à junta e para situações mais complicadas convoca uma reunião extraordinária do executivo, o que ainda não foi necessário este ano.”

Fonte: O Mirante

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